Qual o sentido de viver?
Segundo Maria Aparecida, é estar vivo e fazer dessa experiência uma dádiva.
Tudo passa a ter um tom diferenciado e tudo ao redor ganha outra roupagem. Velhos costumes são abandonados e novamente a vida entra em um ciclo de respirar, expirar, e novamente caminhar.
Quando retorna, revive os momentos de superação de sua doença, ela não tem vergonha de deixar que as lágrimas caiam de seu rosto, mas ao mesmo tempo ela nos adverte que a morte também pode ser observada como uma grande lição. “É um processo de continuidade, de total renascimento. Uma velha pessoa se foi para dar lugar a uma outra com muitas histórias para serem contadas.”
Esse momento casa perfeitamente com um trecho de um poema de Cecília Meireles em que ela cita: “Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para voltar sempre inteira.” Maria Aparecida realmente voltou inteira, deixou novamente que a pureza tomasse conta de seu coração. Como se a doença viesse para purificar seus sentidos, suas angústias, seus segredos mais ocultos, mas que a fizeram mudar sua postura.
Ela comenta como esse fato a transformou:
Márcia Nicolau
Vida e morte
Vivem lado a lado
Toda noite a lua cede seu lugar para sol
Todos os dias as estrelas surgem para brincar com a lua
E certos dias o cinza invade o clarão do dia
E aos olhos da poesia
Lagrima se confunde com chuva
Provoca raios sem pestanejar
Até um arco-íris anunciar o fim
Do turbilhão no céu
Causando alivio em vida!
A morte beijou suas mãos
E o arrepio gélido provocou
Surto na alma
Convulsão em seus sentidos
Imprimindo imediatamente
Uma nova folha em branco
Um recomeço!

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