O tempo da maturidade sempre chega na vida de uma pessoa e para o nosso personagem também chegou.
As paixões continuavam as mesmas, mas a forma e a intensidade tinham um outro sabor. Talvez como uma degustação de uma cachaça melhor, com mais qualidade. Ele foi observando alguns camaradas partirem sem tempo para as despedidas. O cenário ao seu redor também ia mudando e a molecada estava chegando com uma força revigorante, mas também muito das raízes e tradições se perderem. Era momento de transformações e o Zé começou a conversar muito com o Nívio Gaspar e acabou surgindo aí uma nova virada na sua vida e ele se transformou em Zé Nívio Gaspar.
Mas enredos de amor são sempre enredos de amor, e o Zé Nívio nunca se esquivou de viver uma boa história. Até o dia que a Dulce apareceu e fez o mundo do moço rodar completamente. E ele já foi levando uma bela canção, recheada de poesia para um bom chamego na moça, que também se derreteu aos encantos, mas deu um chega pra lá no homem (que deu até calafrio): “Se realmente quiser algo sério comigo vai ter que mudar.”.
Dulce deixou o Zé sem argumentos e os olhos do Nívio Gaspar arregalados. Com um bom sambista e amante do futebol, viu que era o momento exato para um pedido de tempo. E ele foi embora, sem uma resposta exata, mas se pôs a pensar: “Eu gostava dos meus rabos de galo, minhas cervejinhas, uma boa cachaça, das minhas folias, mas eu gostava muito mais da Dulce.” E pasmem! Ele voltou até ela e disse: “Largo tudo para ficar do seu lado minha Pérola Negra.”.
Sim, senhores, ele mudou completamente a sua vida pelo amor de Dulce, que lhe presenteou com uma filha, que retribuiu ao padrinho uma grande homenagem, a netinha Nívia. Foram dai que as conversas malucas entre o Zé o Nívio começaram a dar grandes frutos, pois começaram a aparecer projetos de resgate da memória do samba de São Paulo. Ele foi sentindo, junto com alguns amigos e eternos parceiros que era momento de iniciar uma coleta das memórias e materiais da história dos pioneiros e da velha guarda do Samba Paulistano. E logo foram surgindo eventos que valorizavam os grandes abre alas dessa cultura na cidade de São Paulo.
~ A Roda das Impressões ~
Vamos puxar as cadeiras, se ajeitar e entrar roda para iniciar uma grande homenagem do Impressões Humanas a Velha Guarda do Samba Paulistano. E quem nos guia roda é o bom e velho Zé Nívio Gaspar: Começo não só pelo lindo samba que o Talismã canta, mas tinha que escolher este vídeo pois mostra parte da nata do samba paulista: Talismã, Geraldo Filme, Zezinho do banjo, Zeca da Casa Verde e Toniquinho Batuqueiro... que tive a honra de privar da amizade desses bambas que já estão fazendo samba em outro terreiro e do meu amigo Silvio Modesto que ainda anda passeando com sua voz por ai.
A minha segunda escolha é Narainã. Foi o samba enredo que me apresentou as escolas de samba, e junto com ele veio meu amor pela Camisa Verde e Branco. Esse samba é do meu padrinho Ideval, Jordão e Zelão...
Não poderia deixar de lado o Babão, meu parceiro de fé, com quem fiz esse samba. Esse vídeo mostra uma apresentação nossa, junto com alguns integrantes do grupo Abolisamba, em frente a loja da Contemporânea, ao lado da Estação da Luz, comemorando nossos 30 anos de parceria.
Em se tratando de samba completo A QUADRA com um compositor carioca Antonio Candeia, meu grande ídolo, com que fiz essa linda canção!
Márcia Nicolau


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