Para entrar na sua história, é preciso entrar em suas memórias afetivas e brincar com ela no quintal da avó. Um quintal cheio de encantos e histórias criadas por uma imaginação extremamente construtiva. O nome Samara também é peculiar e imponente, afinal era o nome de um navio que a tia leu e se encantou, logo sugeriu que o nome fosse dado à sobrinha que acabara de nascer. Sugestão aceita e a menina, segunda filha de um jovem casal, também ganhou um segundo nome: Aparecida, para lhe garantir muita sorte na vida.
O pai carregava no sangue um misto de portugueses e espanhóis, mas sempre afirmava que era “brasileiro”. A mãe era descendente de húngaros, cultura de mulheres fortes e marcantes que sempre se reuniam em volta de fogões por dias para cozinhar as receitas tradicionais, falar sobre todos os fatos e harmonizar a família ao redor da grande mesa.
A culinária húngara pode ser considerada um capítulo a parte. E só de lembrar do cheiro das grandes panelas em cima do fogão, ela viaja em suas memórias e descreve as batatas cozinhando, o cheiro das especiarias e a fala das tias, mães e avós ao redor da mesa. Quando começa a voltar nesse ponto de sua história observamos de onde vem seu encanto com as cirandas e as grandes rodas de diálogos de onde saíam um monte de respostas e aprendizados.
“Essa seria a minha primeira colagem sobre a palavra educação: a relação do adulto. Eu me recordo perfeitamente da minha infância e dos sentimentos existente na relação dos adultos. Nós imitamos exatamente seus hábitos e comportamentos e ali já somos inseridos, inconscientemente, nessa cultura familiar e estas, acredito, são as primeiras bases da construção de uma história. Nosso primeiro aprendizado.”


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