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segunda-feira, 2 de abril de 2012

3x03 - Palavra Mãe!


O primeiro emprego ninguém esquece, e quando fala sobre sua vida profissional, Cida fala com o maior orgulho do mundo do escritório de contabilidade da Rua Penha de França, 140, no bairro da Penha. E da contabilidade ela logo saltou para Câmara Municipal, como funcionária pública sua rede de amigos só ia aumentando.
Mas quando cita a juventude, logo ela nos olha e sorri. “Ai, a quadra da escola de Samba Camisa Verde e Branco.”  O sorriso na face se estende, os olhos marejam, e ela começa a soltar suas palavras:

“Era muito divertido! Era muito gostoso aquela  aglomeração de amigos, felizes. Até hoje olho os desfiles das escolas e penso  em como foi maravilhoso . Minha despedida da avenida foi realmente espetacular, eu estava grávida do meu primeiro filho Gabriel, em 1976. Desfilei  na Camisa Verde e Branco em um dia e  corri para o Rio de Janeiro, onde  desfilei na Portela. Foi realmente o término de um ciclo da minha vida. Um ciclo dourado, pois eu construí as bases da minha vida nessa época, dali pra frente, ei conheceria outros mistérios da vida: a maturidade, e experiência de ser mãe e cuidar de uma nova vida sob minha responsabilidade.”
Gabriel é fruto de um relacionamento de Maria Aparecida com um jovem italiano, mais velho que ela conhecera no trabalho. A primeira barreira diante das normas da sociedade na época era a decisão de não se casar e criar o filho sozinha.  “Eu mantive o relacionamento com ele até seu falecimento, mas  assumi a responsabilidade. Foi uma fase de grandes mudanças em minha vida, mas tinha ao meu lado o apoio da minha mãe e da minha avó, que me deram total apoio e me ajudaram  a criar meu filho.”
Quando fala do nascimento do filho, mis uma vez ela se emociona. “É uma experiência  inexplicável, são sentimentos! Pegar nos braços aquele ser tão pequenino que depende  do seu amor e benevolência para sobreviver. A emoção dobrou quando o meu segundo filho, Fernando, nasceu. Para entender o sentimento de uma mãe, só sendo mãe, pode até parecer uma frase chavão, mas não é. É uma experiência formidável acompanhada da palavra mãe.”
Um grande reviravolta aconteceu na vida de Cida, a primeira delas foi a mudança do bairro de Vila Mariana para o bairro do Jabaquara, região sul da cidade. Um bairro com outra cultura , hábitos totalmente desconhecidos por Maria Aparecida! A mudança foi um choque em todos os aspectos.

Márcia Nicolau



Enquanto Maria Aparecida despedia-se da avenida e dos carnavais festejou com a Camisa Verde e Branco mais um  título de Campeã Paulista e no Rio de Janeiro cantou junto com a portela o samba-enredo do Homem de Pacoval



Voando
Nas asas da poesia
A Portela em euforia
Vive um mundo de ilusão
E vem cantar
Os mistérios da Ilha de Marajó
Uma historia que fascina
Vem do alto da colina do Pacoval
Sob o poder, de Atauã
O seu povo evoluindo
Nas crenças costumes e tradições
E o deus sol
Era figura de grandeza
A mãe Tanga a pureza
Era símbolo da vida dos Aruãs


Belzebu o rei do mal
Era festejado em cerimônia especial
Lá lá lá


Iara que seduzia
Pela magia do seu cantar
E os Aruãs que felizes viviam
Não há explicação no seu silenciar
O seu tesouro foi a causa da invasão
Mas os tempos se passaram
Veio a colonização
Viveram nesse recanto de beleza
Catarina de Palma e outros mais
Terra abençoada pela natureza
Com suas festas tradicionais


Vaquejada, boi-bumbá
Vem o gaiola vou viajar


Um comentário:

  1. E é uma mãe com filhos incriveis1 Se bem que sou um pouco suspeita pra falar! rs...

    Parabéns Marcinha! Cada dia me apaixono mais por suas palavras!

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